Testes especiais para ligamentos

A articulação do joelho é sem dúvida a articulação mais envolvida em traumas diretos e indiretos, sejam em indivíduos atletas ou não atletas. Portanto, conseguir atender com excelência toda a complexidade envolvida no joelho separamos estes testes especiais para ligamentos com foco nessa articulação.

Lesões meniscais, lesões condrais, lesões ligamentares estão entre as principais etiologias dolorosas da articulação do joelho. Deve-se verificar sempre o histórico patológico, associar ao exame físico e a exames de imagem. Então nós separamos os principais testes relacionados a articulação do joelho, que mostram a posição do paciente, descrição do teste e principais sinais e sintomas.

Os testes são:

1 – Teste de Lachmann ou Richey test

2 – Teste da gaveta anterior e posterior

3 – Teste de Slocum

4 – Teste de estresse em varo ou bocejo

5 – Teste do Pivo-shift ou Mcintosh

6 – Teste do ressalto

 

Teste de Lachmann ou Richey

Teste de Lachman joelho
Descrição do teste:  é um teste específico para verificar a integridade dos ligamentos cruzados anterior (LCA) e ligamento cruzado posterior (LCP). Será preciso que o terapeuta segure firmemente com uma mão à coxa do paciente e com a outra mão deverá tracionar a tíbia superiormente realizando uma força de cisalhamento. Para a realização do teste no caso de LCP apenas deve-se inverter a força de cisalhamento empurrando a tíbia para baixo.

Posição para o teste:: decúbito dorsal com joelho a ser testado flexionado a 30º.

Principais sintomas e sinais: no ocorrência de ruptura do LCA ou do LCP o paciente manifestará falseios durante a marcha e atrofia muscular. Durante o teste o paciente raramente se queixará de dores

 

Teste da gaveta anterior e posterior

Procedimento de teste de gaveta

Descrição do teste: o terapeuta deverá sentar-se sobre o pé do paciente,  estabilizando e abraçando com ambas as mãos a tíbia do paciente, colocando seus polegares na interlinha articular. Realizar uma tração anterior para testar o ligamento cruzado anterior (LCA) e logo após realizar uma força antagônica para testar o ligamento cruzado posterior (LCP).

Posição para o teste: decúbito dorsal com os joelhos flexionados a 90º.

Principais sintomas  sinais: o paciente no momento do teste não sentirá dor, apenas a sensação de deslocamento ficará nítida nos casos positivos. Oriente o paciente sobre esses possíveis efeitos para que ele saiba o que poderá ocorrer, deixando-o assim preparado e calmo para o procedimento.

Teste de Slocum

Descrição do teste: estabilize com suas mãos a tíbia do paciente do mesmo jeito feito com o teste da gaveta anterior e posterior, ou seja, sentado sobre o pé do paciente. Ele rodará a tíbia internamente a 15º para avaliar a integridade do LCA e lesões periféricas que envolvem principalmente a cápsula ântero-lateral e o ligamento colateral lateral. Durante a rotação lateral, o terapeuta também deve tracionar anteriormente à tíbia, atente-se ao lado externo do platô tibial verificando se ele torna-se mais anteriorizado. Em caso positivo, isso significa lesão do LCA e lesão periférica associada envolvendo principalmente a cápsula ântero-medial.

Posição para o teste: paciente em decúbito dorsal, com o joelho do membro a ser testado colocado a 90º de flexão e rodado ora em rotação interna de 15º, ora em rotação externa de 30º.

Principais sintomas e sinais:  o paciente sentirá apenas leve desconforto e sensação de deslocamento. Oriente o paciente sobre esses possíveis efeitos para que ele saiba o que poderá ocorrer, deixando-o assim preparado e calmo para o procedimento.


Teste de estresse em varo ou bocejo

 
Descrição do teste: com a mão posicionada no lado medial do joelho, o terapeuta, com a outra mão localizada na altura do tornozelo exerce uma ação no sentido medial tentando abrir a interlinha articular do joelho. O teste deverá ser efetuado a 0o e a 30º com intuito de averiguar a frouxidão ou lesão ligamentar.

Posição para o teste: deitado em decúbito dorsal.

Principais sintomas e sinais: em caso positivo a interlinha lateral demonstrará uma abertura ou “bocejo” pronunciado. Dificilmente os pacientes sentiram dores no processo, geralmente a queixa é relacionada ao desconforto.

 

Teste do Pivo-shift ou Mcintosh

Descrição do teste: o terapeuta realiza uma rotação interna da perna do paciente e ao mesmo tempo realiza uma flexão e um estresse em valgo do joelho do paciente. Em aproximadamente 25 a 30º de flexão, ocorrerá um ressalto súbito e o terapeuta sentirá que o platô tibial lateral irá descer. Esse achado é sinal positivo para ruptura do LCA. Continuando o teste o terapeuta observará que à medida que aumenta a flexão a tíbia se reduzirá subitamente.

Posição para o teste: paciente em decúbito dorsal com o joelho a ser testado em extensão completa.

Sinais e sintomas: o paciente não sentirá dor apenas a sensação de frouxidão ligamentar e instabilidade.

 

Teste de Jerk-test ou teste do ressalto

Manobras para identificar lesões do joelho

Descrição do teste: coloque o membro inferior do paciente com 90º de flexão do joelho. Realize a rotação interna da tíbia e com uma das mãos para impor um estresse em valgo sobre o joelho. Mantenha a posição e realize uma extensão lenta e progressiva até o momento em que se nota um repentino ressalto articular. Em caso positivo deverá ocorrer uma subluxação ântero-lateral do joelho em caso de lesão do LCA e que se manterá subluxado até a extensão completa.

Posição para o teste: idem ao teste do Pivo-shift ou Mcintosh

Sinais e sintomas: 
o paciente não sentirá dor apenas a sensação de frouxidão ligamentar e instabilidade. Para alguns pacientes essa sensação pode ser perturbadora, causando dúvidas e questionamentos referente a qualidade de vida. Informe sempre seu paciente sobre os efeitos e como a recuperação e processo de reabilitação trazem melhora do quadro principalmente para a qualidade de vida.

Teste do Pivo-shif reverso ou Teste de Jakob

Teste do Pivo-shif reverso ou Teste de Jakob

Descrição do teste: será preciso flexionar o joelho do paciente passivamente até 80º com a tíbia rodada externamente, enquanto a coxa deverá estar em adução e rotação interna. Em pacientes com instabilidade rotatória póstero-lateral, essa posição provocará a subluxação posterior do platô tibial lateral em relação ao côndilo femoral lateral.  Feito isso será preciso realizar uma extensão do joelho, repousando o pé contra o seu corpo a fim de proporcionar uma carga axial e um valgo sobre o joelho. Em aproximadamente 20º ocorrerá uma redução do platô tibial lateral a partir de sua posição de subluxação posterior, ocorrendo um ressalto.

Posição para o teste: decúbito dorsal com o joelho a ser testado flexionado a 80º e o pé apoiado na cintura do terapeuta e com a tíbia em rotação externa.

Sinais e sintomas: o paciente não sentirá dor apenas a sensação de frouxidão ligamentar e instabilidade. Para alguns pacientes essa sensação pode ser perturbadora, causando dúvidas e questionamentos referente a qualidade de vida. Informe sempre seu paciente sobre os efeitos e como a recuperação e processo de reabilitação trazem melhora do quadro principalmente para a qualidade de vida.

 

OBS: durante o teste de Lachmann e também para os testes de gaveta anterior e posterior seria interessante o examinador colocar o polegar na interlinha articular para melhor precisar o deslocamento tibial e comparar com o membro oposto. Cuidado com pacientes que apresentem hiperlassidão ligamentar pois o teste será falso-positivo. Verifique sempre a história da lesão e a realização de outros exames para confirmar o diagnóstico.

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