Ultrassom x lesões musculares

Lesões musculares são, para a medicina esportiva, consideradas incapacitantes e, para a traumatologia, um grande desafio. Pois é sempre uma soma de diversos fatores para chegar na causa raiz da lesão muscular. Nossa equipe separou um conteúdo aonde o ultrassom entra como aliado no seu tratamento.

Prevenir para evitar

Quando acontecem, constituem um ferimento traumático. Os atletas que sofrem esse ferimento ficam incapacitados consistentemente por longos períodos de tempo, e suas carreiras profissionais passam a estar sob perigo
constante.

Uma das grandes dificuldades está no fato de que o período de cicatrização da lesão muscular é demorado e, por vezes, o processo cicatricial é incompleto. Em vista desse quadro, o ultrassom terapêutico é a modalidade geralmente mais usada por fisioterapeutas para o tratamento de lesões de tecidos moles, na tentativa de redução do período de cicatrização.

Lesões musculares

As lesões musculoesqueléticas podem ocorrer em esportes profissionais e recreacionais ou mesmo em atividades diárias. A maior incidência dessas lesões musculares, no entanto, é observada na prática desportiva, em decorrência de trauma direto ou indireto, gerando uma resposta inflamatória local. O índice de procura por profissionais vem aumentando devido a onda fitness que essa geração está impondo às pessoas.

O tratamento de ultrassom realizado com o objetivo de diminuir a reação inflamatória e promover a cicatrização tecidual é a imobilização do local e o uso de anti inflamatórios não-esteroides. Facilitando a cicatrização e acelerando o processo de recuperação natural do corpo.

A lesão muscular pode envolver uma série de  processos teciduais, principalmente a degeneração intrínseca da fibra muscular e a destruição da lâmina basal, o que caracteriza uma desorganização das miofibrilas nos sarcômeros, ruptura de mitocôndrias e retículos sarcoplasmáticos, descontinuidade do sarcolema, alterações dos níveis de cálcio, autodigestão e morte celular.

Ultrassom

Inúmeros estudos sugerem que o uso do ultrassom reduz a inflamação, induz a liberação de  histamina. Causando vasodilatação local e aumenta a permeabilidade vascular. Diversos pesquisadores relatam que o ultrassom aumenta a cicatrização tecidual (MAXWELL, 1992; PRENTICE, 1999; FISHER et al., 2003).

Desse modo a terapia por ultrassom influencia a atividade das células – plaquetas, mastócitos, macrófagos neutrófilos – envolvidas na fase inflamatória do processo de regeneração tecidual. Aceleram o processo de cicatrização através das ondas mecânicas por produzir o aumento da permeabilidade da membrana e das plaquetas facilitando a liberação de serotonina.

Os mastócitos terão o rompimento de sua membrana celular em resposta ao aumento dos níveis de cálcio intracelular, liberando histamina. A capacidade de efetuar o transporte do cálcio através das membranas celulares, segundo mensageiro, pode exercer efeito profundo na atividade celular, aumentando a síntese e secreção dos fatores de lesão pelas células envolvidas no processo de cicatrização.

Diferencial tecnológico

As ondas ultrassônicas do Intelect Ultrassom da Chattanooga são produzido por uma corrente alternada. Se propagam através de um cristal piezoelétrico (quartzo) alojado em um transdutor. E possui uma assinatura digital na outra ponta do aplicador que informa em tempo real se o ultrassom está em perfeito funcionamento.

Tais cristais produzem cargas elétricas positivas e negativas ao se contraírem ou expandirem. A vibração desses cristais provoca a produção mecânica das ondas sonoras de alta freqüência (acima de 20.000 Hz).

Na fisioterapia, o ultrassom é definido pelas oscilações, ondas cinéticas ou mecânicas produzidas pelo transdutor vibratório que, aplicado sobre a pele, atravessa e penetra no organismo em diferentes profundidades, dependendo da frequência, que varia de 1 a 3,0 MHz.

Referências

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Este artigo foi uma adaptação de: FisioterapiaDesportiva

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